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A paridade que ainda não chegou à mesa de decisão

Foto do escritor: Gláucia Brasil
Gláucia Brasil
há 54 minutos
2 min de leitura

Há anos atuo como Administradora Judicial e advogada em recuperações judiciais, muitas delas em grandes operações do agronegócio. Nesse caminho, aprendi que a igualdade de gênero na nossa área ainda existe mais no discurso do que na prática.

O mercado se acostumou com a mulher no relacionamento, na organização, na execução e gestão das tarefas, no marketing, mas ainda estranha a mulher que faz o cálculo, cruza as informações, avalia áreas rurais, interpreta o comportamento do mercado e aponta, com base técnica e fundamentada, qual é o caminho a ser seguido, mitigando riscos e otimizando resultados.

Por outro lado, quando a nossa análise é ouvida, muitas vezes ganha outro autor. A ideia passa a ser "do time", e o time, curiosamente, costuma ter rosto masculino. Não é má-fé na maioria das vezes. É hábito, e hábito é mais difícil de enxergar do que preconceito declarado.

Há um padrão que toda mulher desta área reconhece. Identificamos o problema cedo, apontamos, registramos, exibimos os números. Mas, comumente, a advertência é recebida com cortesia e deixada de lado. Até que o problema previsto vem à tona, e tudo é refeito exatamente como havíamos dito desde o início. O custo desse atraso é pago pela operação, pelos credores e infelizmente pela própria empresa ou pelo produtor rural.

Isso não é falta de competência, ou de comprometimento. É cultura. E cultura se muda com três coisas: presença, técnica e voz.

Às mulheres que querem atuar na administração judicial, na insolvência ou na advocacia empresarial rural, registro três dicas práticas:

  1. Dominem a parte hard. Números, planilhas, laudos, fluxo de caixa, custo operacional. É aí que a decisão é tomada.

  2. Registrem suas análises por escrito, com data. A memória das reuniões é seletiva; o documento não.

  3. Não aceitem que o seu trabalho seja batizado com outro nome. Assinem o que fazem.

O espaço não vai ser cedido. Ele vai ser ocupado.

E você, já viveu isso na sua carreira?

Gláucia Brasil • Advogada Agronegocial


 
 
 

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